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o que os profissionais da saúde dizem sobre hiperglicemia

Descubra o que é e como tratar a hiperglicemia com as dicas desses profissionais da saúde

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Nesse post você verá os conselhos de grandes nomes da nutrição e da diabetes sobre o que realmente é e as melhores formar de tratar a hiperglicemia naturalmente.

Vem comigo!

O que é Hiperglicemia

Em primeira mão é importante destacar que a hiperglicemia não é uma doença e sim um grave sintoma! Vamos explicar isso melhor mais pra frente.

Por hora podemos explicar que a hiperglicemia é caracterizada pela presença de níveis elevados de açúcar no sangue, como descreve o médico endocrinologista Dr. Augusto Pimazoni-Neto – Coordenador do grupo de Educação e Diabetes do Hospital do Rim da UNIFESP.

Algumas possíveis causas para essa condição são:

  1. Doses insuficientes de medicamentos ou insulina no caso de diabéticos;
  2. Omissão de uma ou mais doses de medicamentos orais ou novamente da insulina;
  3. Infecções e doenças (A hiperglicemia por estresse é uma condição frequente em pacientes de doenças graves segundo estudo publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva);
  4. Abusos e/ou desequilíbrios alimentares;
  5. E também, a falta de exercícios físicos regulares.  

A grande onda

A Sociedade Brasileira de Diabetes mostra mais uma outra causa para a hiperglicemia, eles o chamam de “fenômeno do alvorecer” e todas as pessoas passam por essa condição, tendo ou não diabetes.

Pode ser descrito como uma onda de hormônios que o corpo produz entre as 4h e as 5h da manhã, todos os dias.  Isso provoca uma reação do fígado, que por sua vez, libera glicose e prepara o organismo para mais um dia de atividades. Nesse momento, o corpo produz menos insulina e mais glucagon (o hormônio que aumenta a glicose no sangue).

No entanto, as pessoas com diabetes não têm respostas normais de insulina para regular essa onda, e a glicemia de jejum pode subir consideravelmente.

O estresse também pode ser um fator contribuinte para os desequilíbrios de maneira geral no organismo, por isso é sempre bom estar atento as atividades de sua rotina e a sua saúde mental.

O que o envelhecimento tem a ver com a hiperglicemia?

Outro fator que pode vir a contribuir para o aparecimento de algumas doenças é o envelhecimento.

É fato que as pessoas estão vivendo por mais tempo e portanto contribuindo para o aumento da população de idosos e com isso, aparecem doenças características dessa fase da vida.

Segundo o IBGE, a expectativa de vida ao nascer no Brasil em 2019 é de 80 anos para mulheres e 73 anos para os homens e esses números vão aumentando a cada ano.

Exatamente por isso é importante nos conscientizarmos sobre a  responsabilidade que exercermos frente a nossa saúde, para que o envelhecimento, que é um processo natural da vida, aconteça da melhor maneira possível e com a melhor qualidade de vida possível.

Definitivamente, é necessário prestar atenção aos sinais que o organismo nos dá desde sempre, dessa maneira, podemos identificar os sinais quando algo não vai bem e procurar o serviço de saúde o quanto antes.

O que posso sentir no caso de hiperglicemia?

Quando se trata de hiperglicemia, alguns sintomas são característicos. Então, o que sente uma pessoa com hiperglicemia?

Vejamos abaixo alguns sintomas:

  • Sede – a pessoa passa a beber mais água que o habitual e mesmo assim, continua com sede.
  • Aumento da micção (urina) –  isso tem a ver com a tentativa do corpo de eliminar o açúcar que está em excesso. Pode haver presença de glicose na urina, afinal, o organismo vai tentar sempre manter o equilíbrio. Isso a médio e longo prazo pode ser bastante prejudicial para a saúde renal.

E também não podemos nos esquecer de que, com o consumo de água aumentado, a quantidade de urina produzida também aumenta.  

  • Fome – assim como a quantidade de água parece não bastar, o mesmo pode acontecer com a comida. Pode ocorrer um aumento na quantidade de comida ingerida e isso se deve ao fato de que os níveis de glicose estão altos na corrente sanguínea, mas não dentro das células.

O açúcar que seria usado como fonte de energia para nutrir as células, não está chegando ao seu destino final, então a saciedade parece não chegar nunca.

  • Modificações na pele – a pele pode ficar mais escurecida em alguns pontos do corpo, normalmente nas “dobrinhas”. Nesses pontos a pele pode ficar acinzentada.
  • Emagrecimento – apesar do aumento do apetite, o peso tende a diminuir, isso porque como a glicose não está nutrindo as células, pois não consegue chegar até elas, o corpo tenta a todo custo obter energia de outras fontes e acaba gastando os estoques de energia e provocando o emagrecimento.
  • Visão turva – a dificuldade para enxergar acontece pelo acúmulo de glicose na região atrás dos olhos, prejudicando a circulação local. Por isso a sensação de visão embaçada.
  • Cansaço extremo e sonolência – Pense na célula sem glicose como uma pessoa que está trabalhando bastante, mas não está comendo como deveria. A célula não está sendo nutrida adequadamente, por isso essa fadiga intensa.

Mas vamos com calma! Nem sempre a presença de algum desses sintomas é diagnóstico certo de diabetes ok? Como sempre ressaltamos, o diagnóstico cabe ao médico. Portanto mesmo com os sintomas, busque consultar o profissional de saúde!

A hiperglicemia e a diabetes

Como prometemos explicar, a glicemia aumentada não é uma doença, mas sim um sintoma de risco, que é maior no caso de aparecimento da diabetes tipo 2. Tratar sua hiperglicemia com altas doses de insulina, não melhora sua diabetes!

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, pessoas com altos níveis de açúcar no sangue, obesidade e histórico familiar de diabetes, podem ser consideradas como estando dentro da zona de risco dessa sintomatologia.

Ainda segundo a SBD, a mudança no estilo de vida é capaz de reduzir de 30 a 40% o risco de desenvolver diabetes. Isso quer dizer que modificar a alimentação, incluir atividades físicas regulares na rotina e ter uma vida saudável de maneira geral, podem contribuir muito positivamente para evitar o desenvolvimento da diabetes.

Mas vale lembrar que alguns fatores como o avanço da idade e como a genética, não dependem de nós, sendo assim, é importantes termos consciência de que, mesmo com todos os cuidados, algumas pessoas irão desenvolver diabetes.

É uma situação que acontece comumente e fique calmo por que está tudo bem, existem muitas iniciativas para melhorar a vida das pessoas com diabetes.

A estimativa da SBD é de mais de 35 milhões de brasileiros pré-diabéticos e que em torno de 25% se tornarão diabéticos e a não progressão depende da mudança de hábitos e estilo de vida.

O que dizem os estudos mais atuais?

Entre as soluções mais recentes para o cuidado e o tratamento da diabetes há a forte recomendação da terapia nutricional que deve ser oferecida a todos os pacientes.

Sendo assim, os profissionais discutem constantemente com os pacientes, as melhores estratégias para aplicar mudanças no estilo de vida, como as na alimentação e na rotina de exercícios.

Fica sempre essa recomendação para o manejo e tratamento tanto do Pré-diabético como da Diabetes em si.

Existem no mercado muitas opções de medicamentos para o tratamento do sintoma hiperglicêmico, porém a consciência das modificações que precisam ser realizadas no dia-a-dia é fundamental para o controle glicêmico. A melhora da dieta e prática de exercícios físicos continuam como fortes pilares no tratamento e melhora da resposta glicêmica.

O acompanhamento integral do paciente, feito por uma equipe transdisciplinar é super importante. De maneira geral, há um convite para que o paciente integre mudanças nos seus hábitos, a fim de progredir positivamente com o tratamento.

Alimentação e estilo de vida

Você já parou para pensar que comer é uma das coisas que nós fazemos várias vezes e durante todos os dias de nossas vidas?

De fato, mesmo que nós não nos demos conta disso, o organismo trabalha muito e o tempo todo para a manutenção da vida.

Mas qual será a qualidade da comida que nós estamos colocando para dentro de nós? Quais condições estamos dando para o trabalho do organismo? E o que esperamos á partir disso?

Se informar sobre o que você come é algo extremamente valioso para sua saúde e longevidade.

Comer não é um ato meramente mecânico, pelo menos, não deveria ser feito no modo piloto automático. Eu sei, eu sei, no dia-a-dia, se preocupar com a comida nem parece grande coisa.

Ainda mais com a vida corrida que, ás vezes, faz com que a gente só coma para preencher o estômago mas sem se preocupar tanto com o que de fato estamos comendo.

Da mesma forma, comer é também um ato social, cultura e ambiental. Já que somos parte do meio, estamos integrados á natureza, então temos responsabilidades sobre o que está em nossa mesa. E além disso, nossas responsabilidades permeiam as consequências desse consumo, não só para nós mesmos como para o meio ambiente.

Afinal, não há como ser saudável num meio ambiente doente, novamente, tudo está conectado. A  maneira como nós nos relacionamos com a comida influencia muito na nossa saúde física e mental

E como manter uma alimentação saudável?     

Segundo artigo publicado na Revista Psicologia: Reflexão e Crítica, o consumo de alimentos frequentemente assume papel central nas interações sociais. Neste contexto, vamos discutir como manter uma prática de alimentação saudável, favorecendo o tratamento da hiperglicemia e diabetes.

O planejamento alimentar deve ser adequado á sua individualidade, ou seja, deve levar em consideração suas preferências e aversões. Assim como, seus horários, rotina de trabalho ou de estudo, hábitos, condições financeiras, existência de outras doença e o sono entre outras coisas que possam ser relevantes.

Essas informações precisam ser considerados antes de uma dieta, isso á fim de garantir um tratamento de sucesso. A alimentação como forma de tratamento ou terapia, é algo duradouro, por isso é bastante importante que tudo isso seja levado em consideração.

Principalmente porque o ideal é que não seja algo passageiro e sim uma proposta para a mudança real da sua vida.

Todos juntos pra comer melhor

A  inclusão do paciente no que diz respeito a alimentação é fundamental, seja no círculo familiar, amigos, trabalho e etc. As chances de o tratamento nutricional ser levado a diante quando há essa integração, são muito maiores.

Por isso é importante incluir toda a família no seu novo projeto de alimentação.

A dieta intermitente pelo Doutor Jason Fung!

Nefrologista e propagador da dieta intermitente Doutor Jason Fung.
Nefrologista e propagador da dieta intermitente Doutor Jason Fung.

Existem diversas estratégias para o tratamento nutricional da diabetes. Uma delas é a opção proposta pelo Dr. Jason Fung, que contempla o jejum intermitente, no qual falando basicamente, alternam-se períodos em jejum e outros períodos se alimentando.

A intenção do jejum é controlar voluntariamente o momento para se alimentar e manter a glicemia dentro dos valores adequados.

Segundo o Dr. Jason, nosso organismo já faz isso em algumas situações, como por exemplo, quando estamos resfriados ou até mesmo quando dormimos, dependendo do número de horas de sono.

Apenas para exemplificar:

Se você fez sua última refeição ás 20h, foi dormir ás 22h e acordou ás 8h no outro dia, já fez 12 horas de jejum.

Se o protocolo prescrito for de 16 horas de jejum, a primeira refeição será o almoço, ao meio dia, e assim você abre a janela para se alimentar e completará o ciclo até ás 20h.

Nós separamos esse vídeo aqui embaixo, que é uma entrevista com o próprio doutor Jason que é nefrologista (médico especializado em doenças renais e do sistema urinário). Essa entrevista foi feita Rodrigo Polesso do canal Tribo forte! O legal é que o vídeo está legendado, então dá pra entender tudinho!

entrevista com doutor nefrologista Jason Fung

Existem diferentes protocolos de jejuns atualmente, mas é importante entender que a indicação desses protocolos é individual, bem como o momento em que eles podem ser utilizados, afinal, cada um tem um organismo e objetivos diferentes.

Cada protocolo diz respeito ao número específico de horas em jejum, existem os de menor tempo e os de maior tempo e as respostas esperadas para cada um deles, de acordo com seu objetivo. Isso deve ser discutido com seu médico.

 O acompanhamento profissional para essas práticas é fundamental, pense nisso como uma ferramenta a mais, mas que que tem indicações e contraindicações e o profissional de saúde irá avaliar o caso, junto com você.

Práticas restritivas precisam ser bem acompanhadas com cronograma correto e exames laboratoriais para que tragam benefícios e não o contrário.

Outro ponto para ficar ligado é o que comer nos períodos em que não está em jejum, essa questão deve ser bem alinhada com o profissional que está te orientando. Priorizar uma alimentação de qualidade, com comida de verdade é fundamental. Além é claro de uma boa hidratação sempre!

Contagem de carboidratos

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Dica de dieta para hiperglicemia com contagem de carboidratos.

Outra ferramenta válida é a contagem de carboidratos, que, segundo as Diretrizes da SBD, é reconhecida como um método que permite maior flexibilidade nas escolhas alimentares.

Os carboidratos são os que tem maior efeito sobre os valores da glicemia, por isso ele é tão lembrado no momento do tratamento. A contagem de carboidratos consiste em acompanhar os carboidratos que a gente consome nas refeições. O objetivo é claro, manter a glicemia dentro dos limites adequados.

Vale ressaltar que, seja qual o caminho escolhido, ler os rótulos dos produtos que compramos é importante! Inclusive no Brasil essa rotulagem é obrigatória, justamente para nos ajudar a entender bem sobre o que estamos comendo.

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Ainda falando sobre aplicar uma nova rotina, existem diversos materiais gratuitos que podem ser acessados. Tanto como fontes de informação generalizada de bem estar, como especificamente para a hiperglicemia e diabetes.

Mas atenção! Verifique sempre a veracidade desses locais de busca e procure por fontes sérias e comprometidas. Como por exemplo a gente aqui na Be Your Future! Um bom jeito de descobrir se uma informação é verdadeiramente seria, é ver se outras autoridades no assunto falam sobre isso.

Outro bom exemplo para aspirantes a uma vida saudável é o Guia Alimentar para a população brasileira, que está disponível on line e traz ótimas dicas para boas práticas de alimentação.

Tudo bem, mas porque eu devo me educar nutricionalmente?

Sei que está aqui pra entender melhor a hiperglicemia, mas a educação nutricional é um processo que facilita o acesso ao conhecimentos e a capacidade de autocuidado.

Segundo o doutor Christopher Saudek, diretor do Johns Hopkins Diabetes Center,

“Nenhuma ferramenta de manejo do diabetes – nenhuma medicação oral, insulina ou dispositivo médico – é tão importante quanto os serviços de um educador em diabetes.”

A Associação Americana de Educadores em Diabetes (American Association of Diabetes Educators, AADE) coloca que a construir comportamentos saudáveis é o mais indicado para controlar a saúde, servindo como base para que as pessoas com a doença incluam uma alimentação saudável em seu estilo de vida.

Da mesma forma, quando falamos da “comida de verdade”, sabe aquela que não precisa de embalagens para nos conectar? Essa comida existe e está agora mais acessível do que nunca.

Quando se faz parte de uma era de informação e de tecnologia aplicada á alimentação, muitas vezes, significa estar exposto as muitas opções maravilhosas oferecidas pelo mercado.

Todos os dias, produtos novos são lançados para adaptarmos as receitas com ingredientes mais saudáveis e que tenham um sabor muito bom.

E temos ainda a crescente adesão ao vegetarianismo e veganismo, que são estilos de vida que contemplam a relação com a comida de verdade, priorizando alimentos de origem vegetal e excluindo o consumo de alimentos de origem animal, entre outros valores, como: respeito à natureza e a todas as formas de vida, ao meio ambiente e que nos colocam como seres integrados a ele, e não podemos deixar de citar que trazem diversos benefícios a saúde. Mas, acredite, mesmo com pequenas mudanças é sempre possível caminhar com equilíbrio para ter desfrutar o melhor da vida!

Paulo-Santos
Dra. Tainá da S. B. Manzatto

Sou a Tainá, nutricionista formada pelo CEUNSP e pós-graduada na área clínica.
Agora minhas buscas por conhecimento me trouxeram para a Austrália, onde continuo me dedicando a minha paixão por alimentação, saúde e tudo que permeia nossa relação com a comida. A escrita é um amor antigo que me acompanha desde sempre e poder unir as duas coisas é incrível.
Também bailarina clássica, amante de viagens, livros, comida, bom papo e café. Vai ser um prazer dividir conhecimento com vocês!

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