Hoje você vai entender por que a diabetes está comprometendo os seus rins e o que você tem que começar a fazer sobre a nefropatia diabética.

Um diabético tem 30% de chances de desenvolver doenças renais. E uma pesquisa mostrou que 26% dos pacientes que precisavam fazer substituição dos rins em Porto Alegre, 26% eram diabéticos.

Só no Brasil, estima-se que existam mais de 3 milhões de pessoas com doença renal crônica.

Então se você é diabético há mais de 5 anos, devore essa matéria!

O que é nefropatia diabética

Se você é diabético há mais de 5 anos, você já deveria estar preocupado com a sua saúde renal. Isso porque segundo o nefrologista Luiz Vidal nesse período o diabético já apresenta perda de funções nesse órgão.

Isso acontece por causa da nefropatia diabética.

Uma nefropatia qualquer significa uma lesão ou doença nos rins. A nefropatia diabética é quando essa lesão, esse machucado, acontece como resultado do diabetes.

Inclusive, a nefropatia é apenas uma das muitas complicações da diabetes.

Os diabéticos estão no grupo de risco para o desenvolvimento dessa complicação, assim como os hipertensos.

Mas como a nefropatia diabética acontece?

Eu vou te explicar de um jeito bem didático! Essa complicação acontece assim:

A hiperglicemia faz com que os nossos vasos sanguíneos fiquem dilatadas, faz com que eles aumentem de tamanho.

Os nossos rins, possuem um pequeno emaranhado de veias bem fininhas, aquelas que a gente conhece como as veias capilares. Esse “emaranhado” de veias de chama glomérulo.

nefropatia-diabética-glomérulo

Entre outra coisas o glomérulo trabalha filtrando o sangue e eliminando os resíduos metabólicos, ou seja, ele elimina o que está em excesso no corpo.

Na verdade, essa é a principal função dos rins, eles fazem a limpeza do corpo! Ele é um grande filtro para segurar nutrientes e expulsar o que está “sobrando” e as impurezas também.

A hiperglicemia também dilata os vasos do glomérulo. E aí é que começam os problemas!

Esses vasos vão aumentando muito de tamanho. Com esse alargamento a pressão sanguínea também aumenta.

Isso faz com que esses vasinhos não consigam filtrar direito todo o sangue que passa por ali, o sangue que precisa ser limpo de impurezas e que precisa dar nutrientes para o corpo inteiro.

No começo, esse “problema de filtro” faz com que a gente perca muitos nutrientes.

Depois disso os pobres vasinhos do glomérulo começam a dilatar tanto que vão estirando e se rasgando, isso faz com que eles fiquem machucados e inflamados o que vai levando inflamação e mais machucados para os rins.

Como saber se meus rins estão falhando?

Segundo o nefrologista Luiz Vidal, depois de 5 anos do diagnóstico da diabetes já é preciso fazer os exames: Creatinina ou microalbuminúria que vão identificar como estão as proteínas no seu xixi.

Infelizmente os sintomas de falência e doença renal são quase nenhum.

Mas é comum que o primeiro sinal seja a urina que começa a ficar muito espumosa, o que já é característico do agravamento da nefropatia.

nefropatia-diabética-urina espumosa

Outros sintomas que aparecem nos estados mais graves são:

  • Pressão arterial aumentada
  • Anemia
  • Perda de apetite
  • Náuseas
  • Inchaço
  • Diminuição da produção de urina
  • Retenção de líquidos, causando inchaço nas pernas, tornozelos ou pés.
  • Sonolência.
  • Falta de fome.
  • Falta de ar.
  • Fadiga.
  • Confusão.
  • Náusea e vômitos.

É importante você saber que a falência renal se torna irreversível, e hoje leva muitos diabéticos a precisar de transplante dos rins.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), um diabético tem 30% de chances de desenvolver algum grau de doença renal.

Um outro artigo publicado no Arquivo Brasileiro de Endocrinologia e Metabolismo, a nefropatia diabética é uma das principais causas de desenvolvimento de insuficiência renal crônica.’   

O graus de insuficiência renal – nefropatia diabética

Existem diferentes níveis de comprometimento dos rins que vão do I (um) ao V (cinco). São eles:

Os estágios de falência renal são:

  1. Hiperfiltração – Rins trabalham em excesso, olhando os exames o médico pode até pensar que os rins estão trabalhando acima da capacidade.
  2. Nefropatia insipiente – Já tem perda de até 30% da capacidade de filtro dos rins.
  3. Nefropatia instalada – Perda de 30 a 60%, os sintomas começam a aparecer.
  4. Insuficiência renal – Perda a partir de 80% da capacidade renal.
  5. Rins inutilizados – Precisam de diálise ou transplante

Chegando no último estágio de falência, a função renal vai descendo rápido e quando ela é menor do que 10% o organismo começa a cumular substâncias tóxicas, porque o corpo perde a capacidade de eliminá-las.

Insuficiência renal aguda – Nefropatia diabética

Esse tipo faz no corpo o mesmo que a insuficiência renal crônica, só que nesse caso a atividade dos rins diminui muito rapidamente, essa condição geralmente atinge pacientes que estão mais gravemente doentes.

A chave é: Alimentação!

alimentação-insuficiencia-renal

Essa é não só a chave para o tratamento como também um fator para que você desenvolva a doença.

O que isso quer dizer?

Que a má alimentação pode colaborar para o comprometimento da função renal.

O ideal é que você limite o consumo de proteínas, de alimentos industrializados e processados.

E no caso de alguém que já está com a insuficiência renal, existem cuidados que você pode tomar para impedir que a doença avance rapidamente.

Tanto para quem quer se prevenia quanto para quem quer impedir que a doença avance, aqui vão algumas dicas:

  1. Controle sua glicemia
  2. Controle a pressão arterial
  3. Controle os níveis de colesterol e triglicérides
  4. Não exagere nas proteínas ingeridas na alimentação
  5. Pare de fumar
  6. Mantenha um estilo de vida saudável
  7. Praticar exercícios físicos
  8. Faça exames periódicos para checar possível perda de proteína na urina e o ritmo de filtração glomerular.

Além disso, existe uma dieta que vai ajudar e que geralmente é usada pelos nutricionistas para essa complicação, é a dieta hipoproteica.

O que é uma dieta hipoproteica?

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Essa alimentação vai ter menor teor de proteínas.

 Isso não significa uma dieta sem proteínas, ok?

Nosso corpo precisa desse nutriente.

Com a diferença de que nessa dite você vai diminuir a ingestão de alimentos ricos em proteínas.

Normalmente fazemos o seguinte cálculo:

De 0,8 á 1,0 gramas de proteína por quilo de peso.

Esse calor pode variar, mas geralmente não fica abaixo desse valor.

Então, confira aqui embaixo uma lista criada pelo pessoal do Tua Saúde de alimentos hiperproteicos, ou seja, aqueles que você deve evitar em uma dieta como essa:

Carne de frango
Carne de vaca
Carne de porco (lombo)
Carne de pato
Carne de codorna
Carne de coelho
Queijos em geral
Salmão sem pele, fresco e cru
Atum fresco
Bacalhau salgado cru
Peixes em geral
Ovo
Iogurte
Leite
Kefir
Camarões
Caranguejo cozido
Mexilhão
Presunto

Evitando esses alimentos fica muito difícil exceder a quantidade diária.

Além das proteínas, outros nutrientes também devem ser ajustados, como: carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais.

O que comer da dieta hipoproteica?

Então, nesse tipo de alimentação você vai dar preferência para:

  • Frutas
  • Verduras (cruas ou cozidas)
  • Feijão
  • Azeite de Oliva
  • Arroz branco ou integral
  • Suco de frutas
  • Tapiocas

E como proteger seus rins da nefropatia diabética?

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Antes de mais nada é preciso que você controle sua glicemia rigorosamente, para evitar a dilatação dos vasinho glomerulares! Mas existem outras coisas a fazer. São elas:

  • Evitar medicações
  • Controlar hipertensão
  • Evitar excesso de proteína
  • Evitar colesterol alto
  • Beber muito líquido
  • Praticar atividades físicas

Muito além da proteína

Do ponto de vista nutricional, é fundamental monitorar o teor de vitaminas e minerais também para evitar acúmulo no corpo.

Algumas das substâncias que causam danos quando se acumulam são:

  • Sódio
  • Potássio
  • Fósforo

Pode ser que você precise controlar a ingestão de potássio, fósforo e sódio por exemplo.

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Alguns truques se você precisar diminuir a quantidade de potássio:

  • Deixar vegetais de molho e desprezar a água.
  • Cozinhar os vegetais duas vezes, usando uma água diferente para cada cozimento e sempre desprezar a água, pois nela vão embora vários minerais.
  • Frutas ricas em potássio (evitar): laranja pêra, banana nanica, melão, uva e abacate são alguns exemplos.
  • Vegetais ricos em potássio (evitar): batata, mandioca, mandioquinha, beterraba crua, cenoura crua são alguns exemplos.

Falando de sódio, evite industrializados, excesso de sal, embutidos e leia sempre os rótulos dos alimentos.

O fósforo é bastante presente na nossa alimentação, mas é possível que você precise fazer algum tipo de controle desse mineral também, então a leitura de rótulos vai ser fundamental para não exceder as quantidades calculadas para vocês.

Fique de olho nos nutrientes

vitaminas-nefropatia-diabético

Um outro ponto para ficar atento é á dupla cálcio e vitamina D.

A deficiência de vitamina D provoca a diminuição da absorção de cálcio.

Além disso, normalmente alimentos ricos em cálcio, também tem alto teor de fósforo, então um profissional pode te ajudar a dançar essa dança sem causar deficiências nutricionais.

O desafio do diabético com nefropatia vai ser alinhar a alimentação sem descuidar da glicemia e como eu sempre digo, ser acompanhado por um nutricionista é ótimo e em casos de comprometimento da função renal, é essencial!

Não existe nenhum alimento mágico, mas sim, existem alimentos que tem menos teor de potássio, sódio, fósforo como:

  • Maçã, pêra, abacaxi e morango por exemplo, que tem baixo teor de potássio, mas lembre-se: sem exageros!
  • Legumes/verduras que podem ser incluídos: cebola cozida, cenoura cozida, aspargos, pepino.
  • Vegetais folhosos devem ser deixados de molho por 24 horas, desprezar a água.

Procure cozinhar legumes e verduras duas vezes, sempre com águas diferentes e desprezando a água.

Lembrete: carambola é tóxica para pacientes com insuficiência renal!

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Paulo-Santos
Dra. Tainá da S. B. Manzatto

Sou a Tainá, nutricionista formada pelo CEUNSP e pós-graduada na área clínica.
Agora minhas buscas por conhecimento me trouxeram para a Austrália, onde continuo me dedicando a minha paixão por alimentação, saúde e tudo que permeia nossa relação com a comida. A escrita é um amor antigo que me acompanha desde sempre e poder unir as duas coisas é incrível.
Também bailarina clássica, amante de viagens, livros, comida, bom papo e café. Vai ser um prazer dividir conhecimento com vocês!

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