Nessa matéria eu vou contar sobre a experiência com a cetoacidose diabética que marcou minha carreira profissional. Quero usá-la para te alertar sobre essa doença que atinge 5% da população e quase 40% dos diabéticos.

Acompanhe.

O que é a cetoacidose diabética?

Desde já saiba que a cetoacidose diabética é uma das complicações mais sérias que um portador de Diabetes Mellitus podem enfrentar.

As características principais dessa doença são o excesso de açúcar no sangue (hiperglicemia), excesso de acidez no sangue (acidose metabólica e cetose) e a desidratação, que acontecem pela grande deficiência de insulina.

Frequentemente a cetoacidose pode acontecer depois de doenças infecciosas ou quando o diabético não usa a insulina de forma correta. Além disso, alguns hormônios que nosso

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organismo produz naturalmente podem resultar na doença, alguns deles são:

  • Hormônios contra-reguladores: como glucagon (aumentam o açúcar no sangue)
  • Cortisol: (hormônio ligado ao estresse e que desequilibra a quantidade de açúcar no sangue)
  • E catecolaminas: (também são liberados em situações de estresse e provocam o aumento da quantidade de açúcar no sangue).

Com tudo isso acontecendo, tecidos sensíveis à insulina passam a processar mais gorduras do que carboidratos. Como a insulina é um hormônio que ajuda na formação de massa magra, sua deficiência irá dar lugar a reações como:

  • A lipólise- eliminação excessiva de gorduras;
  • Proteólise –  eliminação de musculatura, acontece quandoa as enzimas degradam as proteínas;
  • E Glicogenólise – Retirada de moléculas de glicose das reservas do nosso corpo.

Ou seja, a insulina descompensada faz com que todas as nossas reservas naturais sejam eliminadas. Nossas gorduras, musculaturas e reservas de glicose são atacadas.

E por fim, esse processo vai fazer com que o corpo produza as cetonas,  que são ácidos que se acumulam no sangue e aparecem na urina.

Quem está na zona de risco?

Cetonas, cetoacidose, cetônicos, essas palavras não te fazem lembrar acetona?

Pois bem, é exatamente isso que o corpo vai produzir: uma toxina ácida! Durante essa complicação, c corpo é literalmente consumido por ácido.

Os pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1 estão no grupo de maior risco dessa patologia. Mas essa doença pode inclusive ser o primeiro sinal clínico do Diabetes tipo 1 e também do Diabetes tipo 2 .

Segundo a SBE (Sociedade Brasileira de Endocrinologia) A cetoacidose é diagnosticada em 3 a 40% dos pacientes diagnosticados com Diabetes Mellitus do tipo 1. Outros estudos recentes da SBE mostram que especialmente no Brasil essa frequência é de 32,8%.

Deu para entender o que é a cetoacidose?! Então você sabe porque a cetoacidose diabética acontece?

O risco de desenvolver essa complicação aumenta quando o paciente tem, menos de 19 anos, febre alta e vício em tabaco.

Há um risco discretamente maior de desenvolver a doença no sexo feminino, principalmente entre os adolescentes.

Segundo O Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), isso está ligado ao uso precoce de anticoncepcional.

O que pode causar a cetoacidose diabética?

Mulher injetando insulina.
O uso incorreto da insulina favorece o desenvolvimento de cetoacidose diabética.

Muito bem, eu comentei aqui que algumas situações favorecem a ceoacidose . Na maioria das vezes, a cetoacidose diabética vem depois de infecções (30–39% dos casos) e o desuso de insulina (21–49% dos casos).

Vamos destrinchar as causas de cetoacidose. Saiba aqui as situações que criam um ambiente ideal para a formação da doença.

  1. Problemas com a terapia de insulina: como eu disse, quando o tratamento de insulina é feito de forma incorreta, isso provoca um episódio de cetoacidose diabética;
  2. Uma doença: Uma infecção ou outra doença pode fazer o corpo produzir níveis mais elevados dos hormônios que comentei. Infelizmente, esses hormônios trabalham contra a insulina. Pneumonia e infecções do trato urinário também estão ligadas à cetoacidose;
  3. Situações de estresse agudo: Acidente vascular encefálico (AVE), infarto agudo do miocárdio (IAM), pancreatite aguda, traumatismo, choque, hipovolemia, queimaduras, embolismo pulmonar, isquemia mesentérica;
  4. Abuso de substâncias químicas: com o álcool e a cocaína.

A minha história com a cetoacidose diabética

Estima-se que a cetoacidose diabética tenha uma incidência anual de cerca de 1 a 5% da população. Se for diagnosticada e tratada rápida e corretamente, pode ser rapidamente revertida.

Eu escrevo essa matéria pra alertá-lo sobre os perigos dessa doença. E porque, como nutricionista, já tive uma triste experiência com ela.

No ano de 2010, eu trabalhava em um município no extremo norte do estado de Mato Grosso e infelizmente perdi um paciente de apenas 14 anos para a cetoacidose diabética.

Começamos a investigar a possibilidade de Diabetes porque ele apresentava alguns sintomas muito comuns entre os portadores de Diabetes.

Como fadiga, dores de cabeça, desidratação e até alterações no seu nível de consciência.

Infelizmente antes dos seus exames ficarem prontos, esse paciente viajou para outra cidade, passou mal, desmaiou e ao ser encontrado caído e por apresentar hálito ácido, parecido com o de alguém alcoolizado, acabou recebendo soro glicosado.

A administração de soro com glicose acabou fazendo com que este paciente entrasse em coma e infelizmente o quadro de cetoacidose diabética não pode ser revertido e ele acabou falecendo.

A falta de conhecimento sobre diabetes e consequentemente, a falta de tratamento, são um dos grandes riscos que essa doença pode trazer. Isso porque vários dos seus sintomas são muito comuns em outras doenças.  

Quais são os sintomas de cetoacidose diabética

Jovem sentado e fatigado por causa da cetoacidose diabética.
A fadiga é um dos sintomas da cetoacidose diabética.

De antemão, saiba que essa doença se desenvolve lentamente e de forma silenciosa. Isso é o que facilita a confusão com outras doenças. Porém alguns dos primeiros sintomas incluem:

  • Sede ou boca muito seca;
  • Aumento da quantidade da urina;
  • Glicose alta no sangue;
  • Altos níveis de cetonas na urina.

Num estágio mais avançado, o paciente pode sentir:

  • Cansaço e fadiga constante;
  • Pele seca ou corada;
  • Náuseas, vômitos ou dor abdominal;
  • Dificuldade em respirar;
  • Odor ácido na respiração (que lembra o hálito de pessoas alcoolizadas);
  • Mal hálito (que lembra fruta podre);
  • Dificuldade de concentração e incapacidade de pensar claramente.

O que faço se estiver com cetoacidose diabética?

“E agora doutora? O que eu faço se estiver sentido essas coisa?”

É duro ler sobre algumas coisas na internet, principalmente quando são alertas para a saúde, afinal, ninguém gosta de ficar doente. Mas saiba que o conhecimento vale muito e pode salvar vidas!

Portanto, se você se sentir doente, estressado ou por acaso sofreu uma lesão recente, verifique o nível de açúcar no seu sangue com frequência! Caso a glicemia fique muito alta, busque ajuda médica o mais rápido possível.

Da mesma forma, caso você já tenha histórico de cetoacidose diabética ou se está lendo essa matéria e descobriu que faz parte do grupo de risco, você pode detectar o nível de cetonas com um simples teste de urina usando uma tira de teste, similar a uma tira de teste de sangue.

Pergunte ao seu médico ou médica como conseguir os testes. Especialistas aconselham que o melhor é verificar sua urina para cetonas quando sua glicose no sangue se apresentar acima de 240 mg/dl.

Mas atenção! Procure atendimento médico de emergência se:

  • Seu nível de açúcar no sangue é quase sempre maior do que 300 mg/dL;
  • Você tem cetonas em sua urina;
  • Você tem vários sinais e sintomas de cetoacidose diabética entre os que comentei acima!

E eu devo alertá-lo amigo, cetoacidose diabética não tratada pode ser causar danos irreversíveis e até mesmo a morte.

Tratamento para cetoacidose diabética

O tratamento para cetoacidose diabética é geralmente uma combinação de várias abordagens para normalizar os níveis de açúcar e de insulina no sangue.

E se o quadro é resultado de uma infecção ou doença, você receberá tratamento para as raízes da complicação também.

Mas entenda, algumas atitudes podem tratar essa condição direto na sua raiz, vou dizer a você as que são usadas.

Reposição de fluídos

Você deve repor os líquidos para corrigir a desidratação causada pelo excesso de açúcar no sangue. No hospital, a equipe médica irá provavelmente ministrar fluidos por via oral ou por via intravenosa para substituir o líquido que é perdido.

Insulinoterapia

A insulina provavelmente vai ser administrada por via intravenosa até o nível de açúcar no sangue cair para 240 mg/dL ou menos.

Complicações na tratamento da cetoacidose diabética

Como todo tratamento, existem cuidados que nós médicos tomamos para normalizar a volta do paciente para sua rotina sem sequelas.

No entanto, durante o tratamento para a cetoacidose diabética, algumas complicações podem acontecer. Eu vou colocar aqui as principais:

Baixos níveis de açúcar no sangue (hipoglicemia): se o seu nível de açúcar no sangue cai muito rápido, você pode desenvolver hipoglicemia;

Baixo nível de potássio (hipocalemia): Os fluidos e insulina usados no tratamento podem diminuir e muito o seu nível de potássio. Um nível baixo de potássio pode prejudicar as atividades de seu coração, músculos e nervos;

Como me prevenir da cetoacidose diabética

Essa para mim, é a parte mais importante. Ter cuidado com a sua saúde nunca é um investimento sem retorno! Eu acredito no poder do cuidado.

Aceite essas dicas que coloquei aqui embaixo, elas ajudaram muitos outros diabéticos e irão ajudar você também!

Tenha uma alimentação saudável, variada e equilibrada, um nutricionista vai te ajudar a criar estratégias pra comer bem.

Inclusive pra quem quer começar a entender melhor sobre como escolher os melhores tipos de alimentos, dê uma olhada no nosso post explicando sobre isso.

Também fizemos esse vídeo da nossa séria 15 segundos de jaleco explicando o que você vai encontrar no post de forma mais rápida.

Pratique atividade física diariamente, isso é essencial para quem tem diabetes. O fato é que exercitar o corpo contribui decisivamente para baixar a taxa de glicemia.

Funciona assim, quando gastamos energia, o organismo utiliza o açúcar do sangue com mais velocidade. Dessa forma, em vez de ficar na nossa circulação, o açúcar vai sendo gasto durante o treino e até nas 12 horas seguintes.

Depois de algum tempo de atividade regular, alguns pacientes conseguem até reduzir a dose diária de insulina injetada ou de comprimidos ingeridos.

Atenção: caso você não esteja praticando exercícios, é importante consultar um médico antes de começar. Um check-up pode até indicar que atividade é mais apropriada para o seu caso!

Também é importante seguir o tratamento com medicamentos e insulina, de forma correta segundo a indicação do seu médico ou médica. Controlar o diabetes e suas possíveis complicações é o primeiro passo para evitar que a cetoacidose diabética aconteça.

Sobre o uso de insulina, também é importante ajustar as doses de acordo com o seu nível de açúcar no sangue, com o que você come e com a quantidade de atividade física.

Monitore seu nível de açúcar no sangue e cetoses!

Mulher usando medidor de glicose.
Fique atento para os níveis de glicose no sangue.

É super importante verificar e registrar o nível de açúcar no sangue pelo menos três a quatro vezes por dia – ou mais, se você estiver doente ou sob estresse.

A monitorização cuidadosa é a única maneira de se certificar de que o seu nível de açúcar no sangue está dentro do seu objetivo. Além disso, você pode verificar as cetoses com um exame de urina, se houver necessidade.

Haja o mais rápido possível!

Se você suspeitar de cetoacidose diabética, procure um atendimento de emergência. Complicações do diabetes podem ser assustadoras e fatais – mas não deixe que o medo te  impeça de se cuidar.

Siga seu plano de tratamento do diabetes com cuidado e busque ajuda médica quando sempre que necessário.

Fazendo assim, você garante seu futuro todo bem! E me conte, você também já passou por alguma experiência com a cetoacidose diabética?

Paulo-Santos
Nutricionista Cibele Amaral

Eu sou a Cibele Amaral, Nutricionista desde 2006 e completamente apaixonada pela minha profissão!
Formei-me no Centro Universitário de Belo Horizonte e desde então nunca mais parei de estudar: Nutrição Clínica, Fitoterápicos, Emagrecimento Saudável, Estética e Saúde da Mulher. Creio no poder preventivo e curativo dos alimentos e essa é minha missão de vida!

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